OsTrotamundos

A vida é Trotar por este mundo!

Nos Passos de Magalhães II – E QUE SALMÃO!

Região dos Lagos não por acaso. A visão lagos gigantes e montanhas nevadas ao fundo era a constante desta viagem que iniciou na Argentina e tinha o como objetivo Puerto Varas no Chile. Esta visão só ficava ausente quando as grandes arvores faziam barreira na estrada quase fechando em túneis naturais e verdes.

A novidade desta quinta-feira ensolarada, vigésimo oitavo dia de viagem, seria a presença de vulcões.

Um dos muitos lagos, numa das muitas paradas fotográficas...

 

O primeiro a dar as caras foi o famoso vulcão Osorno, com o seu formato clássico e o pico de gelo eterno (ou até quando o aquecimento global permitir). Depois quase em Puerto Varas avistamos o largo vulcão Cabulco. E ainda tivemos cerejas chilenas e um final de tarde num confortável café francês.

Cerejas e ao fundo o vulcão Osorno.

Vulcão Cabulco

Pescaria no Lago Llanquihué com o Osorno ao fundo

Cafezinho após caminhada a beira do lago.

Mas e o salmão? E que salmão!

Depois da aduana em Argentina/Chile na qual tivemos de comer todas as ultimas cerejas e as laranjas, descemos contornando as montanhas, tal qual descrito no inicio. Mas a fome tem mais pressa que o Tutit e logo na cidade Entre Lagos paramos num pequeno e muito simples restaurante. Ao pronunciar o menu do dia, não duvidamos: Salmão com batatas coradas e um belo suco de framboesas frescas.

Suco de framboesas frescas.. hhummmm

O salmão já atacado pelos apressados garfos da Vi.

Ahhhh e que salmão! Como diria a Vi: hummmmm gostoooooso.

 

 

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25/12/2010 Posted by | Aventuras | , , | 1 Comentário

Nos Passos de Magalhães II – SOBRE CEREJAS E GELEIAS

Não havia ripio na ruta 40 desta vez, a paisagem desolada da rota mais ao sul, deu lugar a um relevo mais acidentado, com chapadas e morros cobertos de um gramado verde claro ou amareladas. E ao fundo montanhas nevadas.

Já era dia 24 de novembro, sol com poucas nuvens e deixamos Trevelin às10 horas com um “calor” de 13ºC.

A novidade deste dia era as esperadas plantações de cerejas ou “cerezas” como pronunciavam “los hermanos”. Paramos em La Hoya ainda na província de Chubut, compramos um pequeno pacote de cerejas frescas para comer no caminho enquanto procurávamos a fábrica de geleias. Pena que o saquinho com meio quilo de cerejas era muito pouco. Tão poucas que acabaram antes de conseguirmos tirar fotos.

Compramos geleias de sauco, guinda, cassis, rosa mosqueta,, frutilla (morangos) e frutos do bosque. Em El Bolson almoçamos em frente a praça onde os “bichos-grilos” se reúnem antes de pegar as trilhas montanha acima. Segundo Gloriete as fumaçinhas na  montanha não são atividades vulcânicas.

Bariloche foi de passagem, mas paramos para comprar mais um pacotinho, agora de 2 quilos de cereja. E acompanhamos o entorno esplendido do lago Nahuel Nuapi cercado das flores amarelas até Villa La Angustura. Pequena e acolhedora cidade onde pernoitamos após descobrir que a ruta 7 lagos está “cerrada”.

Paisagens bem diferente dos últimos dias.

Entrada da fábrica de geleias.

Um parada estratégica para fotos....

Final da tarde (21hs) em Vila Angustura

20/12/2010 Posted by | Aventuras | , , | 1 Comentário

Nos Passos de Magalhães II – CARRETERA AUSTRAL

O dia é 21 de novembro, saimos de Puyuhuapi, apelidado pelo Paulo de Puiuiu. Aliais um paranteses. Definitivamente o Paulo fez outra viagem e não a relatada neste blog. Todas as cidades possuiam nomes diferenciados com sotaque nordestino. Futaleufu virou Futalêlê. Puyuhuapi virou Pu íu íu, Villa La Angustura se transformou em Angostora e assim por diante.

Mas dia 21 amanheceu nublado, chuva fina em Coyhaique com 6,5ºC às 9 horas da manhã, segundo o Tutit. Era dia de novidade. Era dia de Carretera Austral. E com o comboio completo.

A estreita rota 7 chilena com suas curvas sinuosas e piso de ripio é guardada, neste trecho, pelo mistério da mata fechada que a envolve. A cada curva, descida ou subida o que será que nos espera? Um lago. Uma cachoeira. Um rio caudaloso e esverdeado ou uma ponte de madeira digna do espirito off road.

Saindo e Coyhaique

Cachoeiras no caminho.

flores no caminho

Os sete carros se deslocaram sem pressa por entre as folhagens, poças de lama e sombras da vegetação no ripio. A carretera austral proporcionou ainda um pouco de neve no trecho mais alto, antes do Parque Queulat.

Eis a Carretera Austral, com toda sua magia.

Um pouquinho de neve e os carros alinhados....

E o espirito de criança aflorou em todos, especialmente no piloto do Troller que possuía um verdadeiro play ground a sua frente. O auge destas travessuras foi cortar mato adentro até a beira de um largo rio com uma ilhota próxima a nossa margem. E não deu outra, lá se foi o Troller abrindo caminho para o Pajero, a Sorento e uma das Toyota verdes (do Henrique).

Alcançamos os demais na breve caminhada no P.N. Queulat para avistar, ao longe, um glaciar suspenso pelas montanhas andinas. O fim deste dia foi brindado a bons vinhos chilenos na pousada de Puyuhuapi e também no restaurante Estrela do Sul onde finalmente os expedicionários jantaram juntos.

Correnteza no parque nacional Queulat

Todos juntos no jantar em Puyuhuapi

 

 

20/12/2010 Posted by | Aventuras | , | Deixe um comentário

Nos Passos de Magalhães II – SOBRE MEL, OVOS E OUTROS TONS DE VERDE

Amanhece nublado na cidade de Perito Moreno, a data é 19 de novembro. Cada qual num hotel da pequena cidade,  se dirige ao ponto de encontro, por sorte a hospedagem que me encontro. Hoje iremos passar a aduana da Argentina para o Chile (que novidade) e faremos uma estrada considerada cinematográfica, a mesma força mística da ruta 40 que nos uniu no dia anterior ao despedaçar alguns pneus, nos distanciará novamente.

Serão 2 grupos, o primeiro formado pela Nissan Amarela, Sorento preto e pela Hilux prata, novinha em folha. A viagem será contornando um grande lago pelo lado mais curto com objetivo de chegar rapidamente a Coyhaique, cidade com melhor estrutura para conserto dos carros. O segundo grupo serão os carros mais ecológicos do grupo, os 3 carros verdes: Pajero, Toyota 1 e Toyota 2 irão contornar o 2º maior lago da America pelo seu lado mais selvagem e longo com objetivo de fazer alguns passeios no caminho.

E o Troller? Bem o Troller era uma incógnita na noite anterior, pois precisava de trocar a rebiboca da parafuseta novamente e não sabíamos se conseguiria a tempo de acompanhar o grupo 2 ou teria de acoplar com o grupo 1.

Este dia foi extenso e cheio de emoções, divididas em 3 atos e um belo cenário:

ATO 1 – MEL , MIEL e BEIJINHOS

O Troller acordou cedo para o conserto e as 7 já tava com o motor roncando na cidade de Perito Moreno, doido para conhecer o famoso lago General Carreras pelo lado Chileno e lago Buenos Aires pelo lado obvio da Argentina. Trata-se do 2º maior lago da América perdendo apenas para o Titicaca no Peru.

Como medida preventiva, o Troller puxa o comboio do dia, acelerando nas curvas de ripio e levantando poeira. Em breve avistamos o grande lago pelo lado argentino ainda e realmente impressiona.

Chegamos no posto aduaneiro Argentino e fizemos os tramites legais com os passaportes e documentos dos carros. Iríamos em breve entrar na rigorosa aduana chilena. De praxe o documento que vc declara se possui produtos proibidos no carro, antes de vistoria “Se declara, tudo se esclarece!”. Diz o logotipo traduzido livremente. Pois bem, cada carro é minusciosamente revistado e antes o guarda pergunta:

__ Tens miel?

__ Acho que não! Respondo.

Ao verificar o documento de inspeção ele verifica que declaramos possuir itens proibidos. Fica feliz e diz que outros brasileiros declararam que não tinham nada. Foi aí que a ficha caiu, e vi a Rita sendo levada para o escritório da policia seguida pelo Alex.

Terminada a vistoria de todos os carros, passados mais uns 20 minutos e os ocupantes do Troller ainda retidos no cabinetes dos carabineiros. Ao saírem, acompanharam um policial arremessar um pequeno pote de mel dentro da lixeira com cadeados. Ao passar pela gente o Alex meio pertubado só reclamava.

A Rita com um sorriso mineirim nos labios, proclamou que afirmaram para os policiais que dinheiro não tinham, mas se eles quisessem um beijin…

Versão oficial dos bastidores desta trama só poderão ser encontrados no blog do troller. Caso é claro ele crie coragem de publica-la, pois o pessoal do Alex Escobar e o Cartel de “Miel deu linha”, não deixa barato.

Troller e o recado para o Cartel "Miel deu linha"

ATO 2 – OVOS E HUEVOS

Já estávamos satisfeitos com o passeio ao redor do lago General Carreras, mas a fome apertava e paramos na minúscula vila La Guanta. No único estabelecimento da cidade a dona avisa que não vende lanches, que poderíamos encontra um 17 km a frente. Ao andar exatamente 17 quilómetros avistamos uma pequena casa, no meio de uma fazenda, apenas uma pequena placa de madeira avisa: “Temos comida”.

Fomos recebidos numa casa com jeito de vó, pela senhora Valtomira, nos acolheu e nos acomodou em pequenas mesas e cadeiras num cómodo da casa. E de pronto foi tirar carnes e legumes da geladeira. Tivemos de interromper seu intento, explicamos a pressa da viagem e conclusão para um lanche rápido foi “pan e huevo”.

Quantos ovos? Bem, 1 para cada deve ser suficiente. Mas depois da primeira rodada, com café com leite, todos repetiram….

Deixamos a casa de dona Valtomira e seu marido satisfeitos.

Dona Valtomira e seu abençoado fogão.

Quebrando os ovos!

Todos felizes com seus 2 ovos comidos com pão.

ATO 3 – PRISÃO DE MÁRMORE

Próximo de Puerto Rio Tranquilo há as famosas capelas de mármores. Uma formação de mármore esculpido pela agua do lago, gelo e vento. Passeio imperdível segundo a Gloriette. Quase 17 horas e avistamos a primeira placa com propaganda de excursões para as capelas. Com um descontinho especial para brasileiros pidões o barco saiu com 8 pessoas com coletes e maquinas fotográficas lagoa adentro.

Avistamos as formações rochosas e outras embarcações no lugar. Logo pensei: “Que sacanagem será que não vamos conseguir uma foto apenas da catedral?”. Depois de uma manobra esquisita e de aproximar de outro barco, num espanhol que nem o Henrique entendeu, o barqueiro nos conduziu para dentro da capela e indicou que descessemos capela escorregadia adentro. Primeiro achei que fosse parte do passeio, mas logo ficou claro que não.

O outro barco estava com problemas e o nosso barqueiro nos deixou a deriva dentro do apertado espaço das formações de mármore enquanto rebocaria a outra embarcação. Oportunidade de excelentes fotos, de piadinhas de humor negro e de um baita escorregão água super gelada abaixo. Desta empreitada apenas a Rita e a Regina, que teimaram não sair do barco, escaparam desta desventura.

Ficamos aflitos e sem saber exatamente o que acontecia durante uns 20 minutos antes de sermos resgatados.

No barco indo para as catedrais de mármore.

Catedral de Mármore

De dentro da capela

Já que estamos sem nada para fazer mesmo....

Vi ainda sem pânico devido as ondas de águas gélidas que entravam na capela.

De volta ao barco uma vista pelo lado de fora.

PANO DE FUNDO

O pano de fundo destas aventuras foi o belíssimo lago General Carreras, que ocupa uma área de 224 mil hectares, sendo 136 mil no território Chileno e 88 mil hectares em terras argentinas, onde recebe o nome Buenos Aires. É o lago mais profundo da América com 590m de profundidade, na margem sul a aduana é feita pelo Paso Chile Chico e na margem norte pelo Paso Ingeniero Ibanez.

É impossível não se maravilhar com sua tonalidade ora azul turquesa ora esverdeada, devido as geleiras. A carretera Austral neste trecho é simplesmente maravilhosa, digna de 4×4 em vários trechos, com penhascos e curvas acentuadas. Emoldurando o visual existe ainda os Andes. Com seus picos brancos e formações imponentes, delimitam a extensa superfície do lago.

O objetivo do dia de chegar em Coyhaique ficou impossível de ser alcançado com tantas paradas para fotos e a marcha lenta que fazíamos. Depois de quase 300km no perímetro do lago, pernoitamos em Puerto Rio Tranquilo, uma pacata vila as margens do General Carreira, com uma lua cheia digna de quadros e poemas.

Lago General Carreras que não cansou de nos surpreender por mais de 200km.

Lua cheia para completar este dia magnífico.

05/12/2010 Posted by | Aventuras | , | 1 Comentário

Nos Passos de Magalhães II – ATUALIZAÇÃO 01 DE DEZEMBRO

No dia 23 de Novembro de 2010 a expedição chegou em Trevelin. Neste dia encerra oficialmente a Expedição nos Passos de Magalhães II. A partir da próxima aurora, a divisão do grupo devido aos compromissos particulares não permitirão a viagem continuar para todos.

Poucos dias separam esta data para os compromissos no Brasil, mas mais de 5 mil km separam as cabanas Regbue das residências permanentes, lar doce lar.

A turma ficou assim:

Paulo com família seguiu no dia 24 para Bariloche. Os demais ficaram em Trevelin para passeio no Parque dos Alerces.

Dia 25 cedo inicia a saga de Alex e Rita; Carlos e Regina; Hajj e Jane para chegar ao Brasil. Alex tem de trabalhar e tenta arrumar um jeito de mandar o Troller de cegonha para BH a partir de Porto Alegre enquanto ele viaja a parte brasileira de avião. Conseguiu realizar o feito.

Carlos e Regina segue para a região de Missões no interior do Rio Grande do Sul e de lá para Rezende até antes do dia 6.

Hajj e Jane param em Santa Maria no RS, para revisão do carro, que devido a alguns problemas na rebiboca da parafuseta (igual ao Troller – engraçado, né?) tiveram de fazer um pit-stop forçado maior que o previsto e de lá seguirão para SP.

Dia 25 um pouco mais tarde saímos eu e a Vi no Tutit – Pajero verde com as bandeiras de Minas e Brasil coladas na porta do bagageiro; Ramalho e Gloriete na nissan amarela; Henrique, Negâ e a sempre espremida pelo excesso de bagagem Cássia, no Toyota verde. Todos em direção a Villa La Angustura, logo depois de Bariloche, com uma parada estratégica em El Bolson, para cerejas e geleias.

De lá, dia 26 Ramalho foi em direção ao Brasil passando pelas vinículas de Neuquem. Henrique iria para Osorno no Chile.

Eu e a Vi continuamos nossa aventura e continuarei a postar neste blog. Continuem acompanhando.

O mais bacana é que nos dias que se seguiram ao termino oficial da expedição no dia 23, continuávamos a nos comunicar por email. Sempre avisando do sucesso do deslocamento do dia, a hospedagem que conseguimos. Ajudando uns aos outros com informações e apoio moral. Como disse o Carlos num dos emails, mesmo separados continuávamos viajando juntos. E isto resume o espirito de uma expedição como esta.

01/12/2010 Posted by | Aventuras | , | 3 Comentários

Nos Passos de Magalhães II – Rotina

Algumas histórias não são contadas necessariamente na ordem cronológica dos fatos. Alguns filmes como Kill Bill e Pup Fiction, por exemplo, utilizam desta técnica de contar pedacinhos da historia fora de ordem para tornar ainda mais interessante a trama.

Pois bem, vamos dar um salto na história da Expedição que congelou a cena na mística ruta 40 e contar as ultimas peripécias do grupo. Os próximos post poderão ter uma ordem invertida na sequência, mas o leitor será devidamente informado.

Mas antes vamos tentar justificar um pouco do atraso na atualização do blog.

Um belo dia de viagem expedicionária durante as férias começa com o despertador tocando sem parar por volta das 6 horas da manhã. Saímos debaixo das toneladas de cobertor e encaramos o frio chão até o banheiro. Quatro minutos de água correndo depois a temperatura chega a algo mais agradável ao rosto.

Com o sono quase desperto iniciamos o processo de vestir as montoeira de roupas e calçados. Guardamos tudo dentro das malas, pegamos as bolsas de higiene pessoal, guardamos os carregadores de bateria das maquinas fotográficas e filmadoras, celular e computador, juntamente com os necessários adaptadores e eventuais extensão.

Carregamos tudo escada abaixo, saímos ao relento e encostamos nos carros gelados e poeirentos. Depois da 3ª viagem quarto-carro, podemos finalmente sentarmos para um café da manhã normalmente de água quente, leite em pó, nescafé e torradas com manteiga de tablete. Com sorte consegue-se uma fatia de queijo ou de “jamon”. Paga-se em pesos argentinos ou chilenos e pronto.

As 7:30 faz-se anotações no caderno de viagem, necessário para manter este blog por exemplo, registrando temperatura externa (sempre próxima dos 7º C), odómetro do carro, horário de saída, dentre outros dados.

E é hora de encarar na média uns 500km de estrada. Entre paradas para abastecimento, paradas “hidráulicas”, para comer, esticar as pernas, verificar rumos e direções, e na maioria dos casos paradas fotográficas. As vezes alguns passeios e caminhadas em Parques. Atravessa-se planícies, vales, montanhas, rios e lagos, aduanas e postos policiais. Como diz a Vi, as pessoas tem autonomia menor que dos carros.

Ao chegar na cidade de destino é um tal de carro se perder. Todos juntos no sinal. Virem a direita, virem a esquerda e o pequeno radio com pouca bateria no fim do dia chia alto. Avistamos alguns hotéis e pousadas, e finalmente achamos um lugar para “quedar”. Significa então que é hora de abrir o porta malas , que nessa altura do campeonato está mais para porta poeira, e retirar “as tralhas”.

Sentimos sono, mas ainda tá claro. Afinal são apenas 21 horas e o sol ainda vai se pôr. Com sorte jantaremos num bom restaurante, regado ao bom vinho argentino/chileno. Tomamos banho, arrumamos as roupas para o dia seguinte, conectamos com o mundo para um breve olá, descarregamos as fotos no computador. Anotamos os eventos do dia, o registro de chegada, os gastos e tentamos dar uma olhadela na programação do próximo dia, tentamos escrever eeee….  ah vai lá, tenha dó que eu tó cansado.

Boa Noite, que amanhã tem mais!

01/12/2010 Posted by | Aventuras | , | 2 Comentários

Nos Passos de Magalhães II – Mistica Ruta 40

Em meios de aís e uis, levantamos no frio do quarto em El Calafate, após a caminhada no gelo e da torção no pé, estavamos quebrados para continuar, mas as 7:30 já tomavamos o café da manhã junto com Henrique e família. Eramos os unicos ainda em El Calafate, os demais foram no dia anterior para El Chalten e fizeram um belo passeio até o Lago Deserto.

Consultamos novamente a internet e o correio atualizado do Ramalho dizia que não ficariam mais na cidade e seguiriam logo pela manha pela ruta 40 até a cidade de Perito Moreno (não confundir com o glaciar). Como a turma do Henrique não anima caminhar e a Vi impossibilitada de passeios a pé, desistimos de ir para El Chalten e seguiriamos direto para Perito Moreno.

Pelos meus cálculos conseguiríamos alcançar o grupo por volta das 13 horas antes de Bajo Caracoles. Entramos direto na famosa ruta 40 e após os 100 primeiros km, iniciou o ripio. A velocidade média caiu, mas mantínhamos firme o propósito de alcançar o grupo. Nem para encher ou esvaziar o corpo paramos. E não deu outra.

As exatas 12 horas e 55 minutos avistei um carro escuro parado ao longe. Pensei que pudesse ser do grupo, mas depois achei que nunca teria apenas 1 do grupo parado sem ninguém próximo. Quando chegamos mais próximos, avistamos um ponto amarelo. Não tive dúvidas, era a Nissan.

Abordei o pessoal com festa de buzina e descemos no forte vento da província de Santa Cruz. Abraços e cumprimentos, descobrimos que o pneu do Ramalho rasgou completamente. O Carlos Feitosa permaneceu junto ao Ramalho fazendo o reparo enquanto os demais iriam prosseguir até Bajo Caracoles.  Quando chegamos o reparo estava praticamente terminado. E agora éramos 4 carros na famosa ruta. Já era alegria.

Não precisamos rodar mais de 20 minutos para encontrar os demais. O pneu do carro do Paulo também foi detonado e todos ficaram juntos durante a troca. Pela primeira vez desde o inicio da expedição estavam todos os 7 carros juntos e alinhados.

Pode ser coincidência, pode ser destino, mas a famosa ruta 40 com todos os seus desafios encantos e mistérios proporcionou um dos momentos mais emocionantes para o grupo. Onde todos estavam com algum tipo de dificuldade, mas felizes por contarem com apoio amigo e um grupo unido. E também pelo alivio de saber que ninguém tinha ficado para trás desta vez.

Tivemos muitos percalços ainda nesta rodovia. Em 300 km não tinha nenhum posto de combustível. O primeiro que apareceu foi em Bajo Caracoles que só possuía Nafta (gasolina), melhor para mim pois o Pajero verde com as bandeiras de Minas e do Brasil coladas na porta do bagageiro é a única viatura movida a gasolina no grupo.

Chegamos na pequena cidade de Perito Moreno, cansados, mas satisfeitos com o feito do dia, que teve como seu ponto forte a força do grupo. A satisfação de saber que a expedição estava completa foi o auge desde dia tão desafiante.

Todos alinhados na Ruta 40

Em ordem na foto: Sorento do Paulo, Troller do Alex, Hilux do Hajj, Nissan do Rabalho, Pajero do Bruno, Hilux do Carlos e Hilux do Henrique.

21/11/2010 Posted by | Aventuras | | 2 Comentários

Nos Passos de Magalhães II – BIG ICE

Agora que eu e o leitor já temos uma ligação de confiança, acho que já posso abusar um pouquinho. Não se desespere. Não será nada ilegal ou imoral, apenas diferente. Então vamos lá, pegue seu pó de pirlimpimpim (vai dizer que nunca leu Monteiro Lobato), se torne criança, busque uma cadeira e coloque de frente para o freezer.

Agora, abra a porta do freezer, também serve o congelador da geladeira. Empurre as salsichas em número primo enroladas em sacolinhas de supermercado para o lado, tire bife de lá e arrume um bom espaço. Pronto! Agora entre e feche a porta.

Não. Não fiquei doido, apenas quis passar um pouquinho da sensação que vivenciamos no glaciar Perito Moreno. No dia 17 de novembro o pessoal viajou de El Calafate para El Chalten, mas eu e a Vi ficamos na cidade para realizar o passeio chamado Big Ice, que consistia mais uma longa caminhada de 7 horas sendo 4 horas sobre o gelo.

Depois do desayuno, de despedir do grupo e de montarmos uma mochila. Bem menor que da ultima caminhada, partimos para o parque Los Glaciares.

Com 13 mil km2 , o parque Nacional Los Glaciares, um dos maiores parques da Argentina, tem quase metade de sua área coberta por geleiras. E olhe que da portaria onde se paga 70 pesos pela entrada até as famosas passarelas são 35 km de estrada bem asfaltada.

Chegamos no porto Bajo Sombras as 9 horas, o passeio começou atrasado as 10:50, foi uns 20 minutos de barco e estavamos do lado oeste da geleira, sendo instruídos pelo grupo que faria a segurança e conduziriam o passeio.

Cerca de 2 horas de caminhada e chegamos no abrigo para pegar os grampos que seriam necessários nas botas. Mais 30 minutos e pronto, estávamos no gelo, bem longe da zona de ruptura dos blocos gigantes de gelo que caem no lago.

Iniciamos a caminhada no gelo, não é tão difícil quanto parece. Se não fossem os rios, lagos e cachoeiras internas ao glaciar seria bem seguro. Mas as 4 horas de caminhada no gelo garantem uma boa experiência.

O difícil mesmo foi fazer o lanche. A Viviane resolveu sentar e ficou com a calça molhada em segundos. Tentar pegar o sanduíche e as barrinhas de doce de banana com as luvas também não é fácil, e o vento forte não ajuda em nada. Mas nos viramos bem e o passeio continuou.

Já na prorrogação do segundo tempo a Vi pisa de mal jeito num desnível no gelo e torceu o pé direito. O grupo para, a equipe de apoio faz um suporte e continuamos a passos miúdos até o final da caminhada. Após isso, foi mais um passeio de barco e uma visita as passarelas para contemplar os glaciares com maior conforto.

Vista do Glaciar Perito Moreno

Inicio da caminhada

Vi no inicio da caminhada sobre o gelo

VI no caminho de gelo

Fendas cheias de água. A melhor que já tomamos (e a mais cara).

Rio formado pelo degelo.

Vista dos glaciares junto ao lago.

 

 

21/11/2010 Posted by | Aventuras | | Deixe um comentário

Nos Passos de Magalhães II – Mirador de Las Torres

Torres del Paine é um paraiso para os trekkeiros de plantão. Eu já estudo e sonho com caminhadas em suas trilhas à uns 5 anos e a 3 anos possuo mapas das trilhas. Então quando o dia raio em 14 de novembro, mesmo com o termometro marcando apenas 1,5º Celsius. Me pus de pé, quer dizer, pela altura da barraca, me pus sentado com vontade de partir para alguma trilha.

Eu sei amigo leitor que hoje já é dia 20 e falar sobre o dia 14 está atrasado. Mas o amigo tem de compreender que estamos numa rotina complicada. Então peço paciência e vamos embora que o dia já raiou e estamos em Torres del Paine.

Espalhei um boato que tinha um passeio de trekking “facim” que era “loguim “ali”, e desse jeito mineiro tentei conquistar adeptos. Neste conto do vigário apenas o Carlos Feitosa conseguiu embarcar. O Paulo queria ir, mas ficou preocupado com a familia, pois afinal seria o dia inteiro de caminhada “média”, para visitar as famosas torres por um lado inusitado. A Vi como guerreira e companheira que é, já tinha percebido meus eufemismos para o passeio, mas aceitou de bom grado. Os demais não puderam ou não quiseram ir.

Então fomos eu, Vi e Carlos numa jornada que começou com um 4×4 de 50 km e mais de hora até a Hosteleria Las Torres. O objetivo do dia seria alcançar o Mirador de Las Torres, numa das “pernas” do circuito W de trekking do parque. Seria um passeio pesado pois teriamos de ir e voltar na mesma jornada e o normal é fazer um trecho e acampar ou pernoitar nos refúgios ao longo da trilha.

Não antecipei as informações relativas as dificuldades aos demais e então felizes e contentes partimos rumo a grande aventura do dia.

Parei o Tutit de frente para os Cuernos del Paine ao lado do luxuoso hotel. Conferimos as mochilas, que continham pequena lanterna, canivete, agasalhos e lanches de trilha. Pela quantidade de pessoas que iniciavam a trilha esta seria bem movimentada e consequentemente mais segura.

Vamos ao dados. Saímos do camping pehoé as 10 horas da matina, para quem acha que é tarde eu desafio fazer um café da manhã num camping com menos de 5ºC, e sair rapidinho da letargia. Começamos a trilha por volta das 11:30 da manhã. E logo começou a subida.

Como demonstrado nas plaquetas informativas da caminhada o maior percurso na ida seria subida. Sairíamos do nível de 135 metros e chegaríamos a 900 metros acima do nível do mar, num percurso de aproximadamente 9 km.

Muitas palhaçadas para disfarçar o cansaço, chegamos no camping chileno, que para entrar tinhamos de tirar as botas. Uma tarefa difícil neste momento. Depois de um café sem leite quente para o Carlos e de mais umas barrinhas de cereais com água que apanhamos no caminho, para mim e para a Vi, voltamos a trilha.

Ora o percurso era bem acidentado com morros e pedras, num solo parecido que as trilhas da Serra do Cipó, ora o terreno virava uma ribanceira de pedregulhos dificieis de caminhar, ora estavamos cortando riachos de um verde magnifico devido ao degelo por sobre pontes de madeira que nada deixa a desejar de uma grande aventura estilo Indiana Jones.

Por entre bosques e pedreiras também passamos até que o cansaço parecia que iria vencer. Chegavamos ao acampamento Torres. De lá para o Mirador seria a parte dificil da caminhada e achavamos que não tinhamos mais pernas. Mas um grupo de brasileiro passou pela gente e passou a mensagem que a vista do mirador é imperdivel.

Eles não mentiram, disseram que dali para a frente seria dificil, mas dando um passinho de cada vez, sem pressa chegariamos a um lugar maravilhoso que faria esquecermos o cansaço.

Novamente animados iniciamos a última e mais pesada parte da trilha. Da ida, lembrem-se que ainda teríamos de voltar. Em mais alguns minutos começamos a avistar o grande desafio. Uma subida muito íngreme por entre rochas soltas, areia e pedregulhos. Nem árvores ou arbustos conseguiam nascer e se segurar naquela encosta. Neste momento desce os 2 guardas que vimos no inicio da jornada, dizendo que a subida era até somente um grande pedra que viamos e que não gastariamos mais que 10 minutos.

Ao passar mais 30 minutos de penosa subida avistamos novamente a referida pedra, ainda ao longe e com um grupo de pessoinhas minúsculas como formiga no meio de uma ribanceira sem fim. Nesta imagem desanimadora eis que a Vi, já estribuchando declara em alto e bom tom:

__ Ali eu não vou NEM FUDENDO!!!!

__ Nem o que???? Vira assustado o Carlos com tamanha sinceridade.

A Vi senta numa pedra igual marisco em beira mar que não desgruda da pedra nem na porrada. Segundo relato posterior do Carlos, ele pensou que agora que a vaca vai pro brejo e a nem conseguir voltar para o camping naquele dia a gente conseguiria.

Tive de usar todo meu poder de persuasão para convencer a Vi a tentar andar mais um pouquinho que seja. Por mais longe que o objetivo parecesse, por mais cansados que todos estávamos, com os músculos doendo e com a preocupação de ainda percorrer todo o retorno tínhamos de continuar a andar para chegar no mirador.

Não podíamos pensar no que ainda faltava, pois não era muito se pensassemos apenas no que realmente faltava, mas era muito pelo cansaço que já acumulávamos. Mas o nosso cansaço não vinha de uma caminhada de 1 dia, mas sim de quase 9 mil quilómetros percorridos nos 17 dias de viagens que já acumulávamos. Vinha das horas de direção que enfrentamos, das noites mal dormidas, das refeições irregulares. Mas é justamente desta viagem que poderiamos tirar forças. Pois vinhamos também de lugares maravilhosos, de climas incomuns para a realidade brasileira, de experimentar novos sabores e de conviver com outras culturas.

A fonte do cansaço era também a fonte da força de vontade para continuarmos. E neste discurso saiu um passo. E depois outro. E com calma conseguirmos vencer as dezenas de metros verticais que nos separavamos do Mirador de Las Torres. Alcançamos nosso objetivo exaustos depois de 5 horas de caminhada pesada.

Com a energia renovada demoramos 3 horas para percorrer o percurso da volta. Chegamos no carro, já anoitecendo e partimos rumo ao camping na esperança frustada de conseguirmos jantar.

Mas o dia valeu cada suor e lágrima.

8 horas da manhã e apenas 5º Celsius.

Tutit brincando no caminho de ida para a trilha.

Hosteria Las Torres

Primeira hora de trilha e tudo tranquilo.

Ponte de madeira. Esta é das bem feitas.

Vista do Rio Serrano, que nos acompanhou por longos trechos.

Trilhas por entre bosques e o cansaço aparecendo.

Descanso

O troféu sem eiras nem beiras. Simplesmente magnifico.

No topo. Sem cansaço!

Energias renovadas.

 

 

20/11/2010 Posted by | Aventuras | | 2 Comentários

Nos Passos de Magalhães II – Chegada em Paine

Torres del Paine o segundo objetivo da expedição Nos Passos de Magalhães II. Torres del Paine o primeiro objetivo para um apaixonado em fotografias. Simplesmente um dos locais mais intocados do planeta. Apenas 2 dias no local, então foi aproveitado ao máximo.

O Parque Nacional Torres del Paine (entrada 15 mil pesos chilenos) possui 242 mil hectares, sendo um lugar provido de elementos simples: montanhas, florestas, rios, lagos, neve, vida selvagem abundante, geleira, desertos e um pouco de civilização representada por grandes, luxuosos e caros hoteis. Nós, é claro, ficamos confortavelmente instalados em nossas próprias barracas e colchões infláveis no camping Pehoé ($10mil por pessoa por dia).

O caminho de Punta Arenas para Torres del Paine passa por Puerto Natales. Uma cidadezinha sede para os aventureiros do parque e que dispõem de muitas pousadas e restaurantes. Por indicação do Ramalho almoçamos num lugar bom, de nome meio duvidoso. Mas pelo menos as montanhas voltaram ao horizonte. Apenas no inicio, depois ficamos de cara a cara com toda a imponência desses maciços rochosos.

Estrada para Porto Natales

Na simpática Puerto Natales

Restaurante de nome duvidoso recomendado pelo Ramalho. Pelo menos estava bem cheio e a comida gostosa.

Antes de chegar no Parque propriamente dito visitamos a “cueva del milodón” , uma caverna onde foram encontrada vestigios deste espécie de preguiça gigante. O passeio é legalzinho, o bom mesmo foi as brincadeiras da Gabriela.

Cueva del Milodón

Fazendo pose ao lado do mais novo amigo Milodón. Ao fundo Gabriela fazendo arte.

Com as montanhas de volta ao cenário surgem os lagos e a cada curva de ripio uma grata surpresa.

Estrada de ripio para Torres

Vista do Lago Toro, antes da entrada do Parque

Finalmente o parque

Chegando no parque fomos direto (claro, com varias paradas para foto) para o camping. Preparamos o jantar e já encaramos a primeira caminhada para o Mirador dos Condores, em frente ao lago Pehoé apreciar o pôr do sol. Nesta empreitada de fim de dia, apenas B.H.Rocha, Vi e Carlos Feitosa encararam a subida.

Primeiro miojo da viagem.

E lhes apresento as famosas Torres del Paine, visto de frente ao lago Pehoé.

Bruno, Viviane e Carlos no crepúsculo del Paine

16/11/2010 Posted by | Aventuras | , | Deixe um comentário