OsTrotamundos

A vida é Trotar por este mundo!

Nos Passos de Magalhães II – Mirador de Las Torres

Torres del Paine é um paraiso para os trekkeiros de plantão. Eu já estudo e sonho com caminhadas em suas trilhas à uns 5 anos e a 3 anos possuo mapas das trilhas. Então quando o dia raio em 14 de novembro, mesmo com o termometro marcando apenas 1,5º Celsius. Me pus de pé, quer dizer, pela altura da barraca, me pus sentado com vontade de partir para alguma trilha.

Eu sei amigo leitor que hoje já é dia 20 e falar sobre o dia 14 está atrasado. Mas o amigo tem de compreender que estamos numa rotina complicada. Então peço paciência e vamos embora que o dia já raiou e estamos em Torres del Paine.

Espalhei um boato que tinha um passeio de trekking “facim” que era “loguim “ali”, e desse jeito mineiro tentei conquistar adeptos. Neste conto do vigário apenas o Carlos Feitosa conseguiu embarcar. O Paulo queria ir, mas ficou preocupado com a familia, pois afinal seria o dia inteiro de caminhada “média”, para visitar as famosas torres por um lado inusitado. A Vi como guerreira e companheira que é, já tinha percebido meus eufemismos para o passeio, mas aceitou de bom grado. Os demais não puderam ou não quiseram ir.

Então fomos eu, Vi e Carlos numa jornada que começou com um 4×4 de 50 km e mais de hora até a Hosteleria Las Torres. O objetivo do dia seria alcançar o Mirador de Las Torres, numa das “pernas” do circuito W de trekking do parque. Seria um passeio pesado pois teriamos de ir e voltar na mesma jornada e o normal é fazer um trecho e acampar ou pernoitar nos refúgios ao longo da trilha.

Não antecipei as informações relativas as dificuldades aos demais e então felizes e contentes partimos rumo a grande aventura do dia.

Parei o Tutit de frente para os Cuernos del Paine ao lado do luxuoso hotel. Conferimos as mochilas, que continham pequena lanterna, canivete, agasalhos e lanches de trilha. Pela quantidade de pessoas que iniciavam a trilha esta seria bem movimentada e consequentemente mais segura.

Vamos ao dados. Saímos do camping pehoé as 10 horas da matina, para quem acha que é tarde eu desafio fazer um café da manhã num camping com menos de 5ºC, e sair rapidinho da letargia. Começamos a trilha por volta das 11:30 da manhã. E logo começou a subida.

Como demonstrado nas plaquetas informativas da caminhada o maior percurso na ida seria subida. Sairíamos do nível de 135 metros e chegaríamos a 900 metros acima do nível do mar, num percurso de aproximadamente 9 km.

Muitas palhaçadas para disfarçar o cansaço, chegamos no camping chileno, que para entrar tinhamos de tirar as botas. Uma tarefa difícil neste momento. Depois de um café sem leite quente para o Carlos e de mais umas barrinhas de cereais com água que apanhamos no caminho, para mim e para a Vi, voltamos a trilha.

Ora o percurso era bem acidentado com morros e pedras, num solo parecido que as trilhas da Serra do Cipó, ora o terreno virava uma ribanceira de pedregulhos dificieis de caminhar, ora estavamos cortando riachos de um verde magnifico devido ao degelo por sobre pontes de madeira que nada deixa a desejar de uma grande aventura estilo Indiana Jones.

Por entre bosques e pedreiras também passamos até que o cansaço parecia que iria vencer. Chegavamos ao acampamento Torres. De lá para o Mirador seria a parte dificil da caminhada e achavamos que não tinhamos mais pernas. Mas um grupo de brasileiro passou pela gente e passou a mensagem que a vista do mirador é imperdivel.

Eles não mentiram, disseram que dali para a frente seria dificil, mas dando um passinho de cada vez, sem pressa chegariamos a um lugar maravilhoso que faria esquecermos o cansaço.

Novamente animados iniciamos a última e mais pesada parte da trilha. Da ida, lembrem-se que ainda teríamos de voltar. Em mais alguns minutos começamos a avistar o grande desafio. Uma subida muito íngreme por entre rochas soltas, areia e pedregulhos. Nem árvores ou arbustos conseguiam nascer e se segurar naquela encosta. Neste momento desce os 2 guardas que vimos no inicio da jornada, dizendo que a subida era até somente um grande pedra que viamos e que não gastariamos mais que 10 minutos.

Ao passar mais 30 minutos de penosa subida avistamos novamente a referida pedra, ainda ao longe e com um grupo de pessoinhas minúsculas como formiga no meio de uma ribanceira sem fim. Nesta imagem desanimadora eis que a Vi, já estribuchando declara em alto e bom tom:

__ Ali eu não vou NEM FUDENDO!!!!

__ Nem o que???? Vira assustado o Carlos com tamanha sinceridade.

A Vi senta numa pedra igual marisco em beira mar que não desgruda da pedra nem na porrada. Segundo relato posterior do Carlos, ele pensou que agora que a vaca vai pro brejo e a nem conseguir voltar para o camping naquele dia a gente conseguiria.

Tive de usar todo meu poder de persuasão para convencer a Vi a tentar andar mais um pouquinho que seja. Por mais longe que o objetivo parecesse, por mais cansados que todos estávamos, com os músculos doendo e com a preocupação de ainda percorrer todo o retorno tínhamos de continuar a andar para chegar no mirador.

Não podíamos pensar no que ainda faltava, pois não era muito se pensassemos apenas no que realmente faltava, mas era muito pelo cansaço que já acumulávamos. Mas o nosso cansaço não vinha de uma caminhada de 1 dia, mas sim de quase 9 mil quilómetros percorridos nos 17 dias de viagens que já acumulávamos. Vinha das horas de direção que enfrentamos, das noites mal dormidas, das refeições irregulares. Mas é justamente desta viagem que poderiamos tirar forças. Pois vinhamos também de lugares maravilhosos, de climas incomuns para a realidade brasileira, de experimentar novos sabores e de conviver com outras culturas.

A fonte do cansaço era também a fonte da força de vontade para continuarmos. E neste discurso saiu um passo. E depois outro. E com calma conseguirmos vencer as dezenas de metros verticais que nos separavamos do Mirador de Las Torres. Alcançamos nosso objetivo exaustos depois de 5 horas de caminhada pesada.

Com a energia renovada demoramos 3 horas para percorrer o percurso da volta. Chegamos no carro, já anoitecendo e partimos rumo ao camping na esperança frustada de conseguirmos jantar.

Mas o dia valeu cada suor e lágrima.

8 horas da manhã e apenas 5º Celsius.

Tutit brincando no caminho de ida para a trilha.

Hosteria Las Torres

Primeira hora de trilha e tudo tranquilo.

Ponte de madeira. Esta é das bem feitas.

Vista do Rio Serrano, que nos acompanhou por longos trechos.

Trilhas por entre bosques e o cansaço aparecendo.

Descanso

O troféu sem eiras nem beiras. Simplesmente magnifico.

No topo. Sem cansaço!

Energias renovadas.

 

 

Anúncios

20/11/2010 - Posted by | Aventuras |

2 Comentários »

  1. Ei Nayara,

    E pode deixar que continuarei indo a lugares lindos e tirando muitas fotos.
    Bjs

    Comentário por ostrotamundos | 25/11/2010

  2. Ei Padrinho!!!! Que BELEZURA de lugar, lindas fotos.. Espero que o passeio continue assim, proporcionando momentos incriveis para você continuar nos contando!

    Saudades!

    Beijos!

    Comentário por Nayara Rocha | 21/11/2010


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: